Bem-vindo ao Crise na Gávea! Aqui, o Flamengo é pauta todos os dias – com muita análise em cima de informação e achismos, corneta, um humor ácido e soberba, bem do nosso jeito! Se você gosta do debate sobre o Mengão, esse é o lugar certo para você. A vida não é um morango, às vezes, quase sempre, tem uma crise!

Derrota absolute cinema: Flamengo tropeça no Mineirão, mas entrega entretenimento pros antis

Se você acha que o cinema brasileiro está em crise, é porque ainda não viu “Ainda estou aqui” e nem o jogo do Flamengo ontem. No Star Wars Day, se o Darth Vader tirasse a máscara, se revelaria um Gabigol de sabre de luz azul celeste.

Em mais uma produção do nosso premiado elenco, o rubro-negro foi até Belo Horizonte para gravar “Cruzeiro 2 x 1 Flamengo – A Vingança de Gabigol”, com direção de Filipe Luís (sim, ele também erra) e roteiro de Léo Pereira e companhia. Um espetáculo digno de Cannes…ou do Cinefoot, vai.

Primeiro ato: drama com pitadas de suspense

Logo de cara, o Flamengo mostrou que não estava muito interessado em dominar a partida. Afinal, por que começar bem, se podemos manter a emoção até o fim?

O Cruzeiro, jogando em casa, tratou de assumir o protagonismo e atropelar o que parecia lógico pros rubro-negros, e abriu o placar com Kaio Jorge – o titular absoluto da posição.

Méritos para o ataque cruzeirense, mas destaque para a nossa defesa que, digamos… fez uma figuração de luxo na jogada, com passe errado do De la Cruz no início da jogada – tava errando mais passe do que pai de santo iniciante. O lance ainda contou com o montinho artilheiro pra enganar o Rossi, que, enfim, estava no modo paredão.

O empate veio com Arrascaeta, que ativou a lei do ex na noite – e podia parar por aí. O uruguaio chutou como quem queria dizer: “É assim que se faz, seus bastardos inglórios!”. Golaço de primeira, nem se o Cássio jogasse o queixo.

Segundo ato: plot twist com gosto amargo e requinte de crueldade

Por um breve momento, o Flamengo parecia mais disposto a competir, mesmo que com raras chegadas. Rossi e Cássio estavam claramente em papel de anti-heróis e tavam pegando tudo.

Mas aí veio a intervenção do divino – e, de novo, do Léo Pereira – pra mexer no roteiro e deixá-lo com um toque, digamos, predestinado.

48 minutos no relógio, posse de bola com o Flamengo. Bruno Henrique tenta arrancar – é parado pela marcação (não vou entrar no mérito arbitragem, vida que segue) – 2, dos 3 jogadores que entraram no Cruzeiro participam da jogada, bola sobe na área do Flamengo, Léo Pereira chega atrasado e chuta o adversário dentro da área. Pênalti para o Cruzeiro.

49 minutos no relógio, ele vai pra marca da cal. Sim, ele mesmo, o protagonista do caos, Gabriel Barbosa, o Gabigol, Gabitento, Gapiroto. E a gente sabe o que está por vir.

Em sua primeira partida contra o Flamengo, o camisa 9 (ou 10, depende da fase da lua) parte pra bola e PERDE O PÊNALTI. Rossi, que também manja do riscado, vai no canto e pega a cobrança. Mas o destino é traiçoeiro e não só com Joseph Climber.

A bola fica viva, na frente da desgraça do Gabriel….gol da vitória do Cruzeiro.

Eu não acredito que roteiristas como Charlie Kaufman, Ava Duvernay ou até Quentin Tarantino seriam capazes de escrever tal roteiro. Essa história tem requintes de crueldade que mistura Jogos Mortais com práticas de tortura cruéis.

Ou não, era só uma obviedade que o lado rubro-negro da força não queria enxergar.

Números que explicam, mas não consolam

Segundo o Sofascore, o Flamengo teve mais posse e mais passes, porém não finalizava. Mesmo com Pedro no comando de ataque, que foi pouco acionado. Um clássico do “dominou, não levou”. Faltou capricho com a bola no pé, intensidade na recomposição e, talvez, um pouco menos de atuação dramática na frente das câmeras.

Reflexão final (com trilha sonora melancólica)

Com a derrota, o mengão perdeu mais que pontos na tabela: perdeu a chance de embalar no Brasileirão, manter a liderança e ainda reforçou a dúvida que ronda o torcedor desde o início do ano — esse elenco tem a força? piada de nerd pelo Star Wars Day, desculpa.

Enquanto isso, nos bastidores, o Flamengo estaria monitorando João Félix. Porque se tem uma coisa que a gente sabe fazer, é sonhar alto mesmo quando tá caído no chão. Pra mim parece pura cortina de fumaça e hoje o papo foi cinema, não teatro.

Próximos capítulos: Libertadores e drama

Agora é virar a chave (de novo) e pensar no Córdoba. A missão? Vencer bem fora, convencer, e evitar mais um dia de sessão tragicômica. No elenco, talentos não faltam. Só falta lembrar que, além de brilhar, é preciso jogar.

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