O Flamengo foi até Quito e voltou com um ponto na mala e umas boas puxadas de ar nos pulmões.
O empate por 0x0 contra a LDU pode não empolgar o torcedor, mas também não é pra desespero. Em uma noite onde a bola parecia pesar o dobro e o oxigênio foi item de luxo, o Rubro-Negro até jogou melhor — só esqueceu de combinar com o gol (de novo).
Posse de bola, domínio e um ataque que esqueceu o GPS da finalização
Durante boa parte dos 90 minutos, o Flamengo comandou as ações no jogo como quem toma conta do churrasco — só não acertou o ponto da carne. Teve mais posse, chegou mais vezes com perigo, fez a LDU jogar no próprio campo, mas quando era hora de matar a jogada…tudo virava uma coletânea de “quase”.
Arrascaeta, por exemplo, teve uma daquelas chances que você até começa a levantar do sofá. Mas ao invés de colocar com carinho no canto, mesmo que de esquerda, chutou com a força de quem pede pimenta leve em restaurante mexicano.
Já Luiz Araújo resolveu imitar o ankara Messi no drible e o Yuri Alberto na má fase no chute. Driblou bonito, ficou de frente pro gol e, como diria o Professor Cerginho da Pereira Nunes, do Falha de Cobertura, aplicou o chute forte pra fora, especialidade da casa.
Defesa firme e Pulgar absoluto “hero of the macth”
Se o ataque ficou devendo, a defesa foi segura e consistente. Mesmo com o time jogando com metade da barra de stamina por causa da altitude, o setor defensivo não deu brecha. Léo Ortiz e Danilo bem posicionados, e Pulgar… ah, o Pulgar.
O chileno parecia jogar de máscara de oxigênio escondida — foi o motor do time, organizou, desarmou, arrumava tempo pra dar opção de passe e ainda ia morder na saída de bola dos caras. Um verdadeiro metrônomo no meio do campo.
Mas, como é tradição sul-americana, a CONMEBOL decidiu premiar o Danilo como melhor da partida. Nada contra o Danilo, que fez o dele direitinho. Mas Pulgar dominou o jogo, e foi ignorado como quem aparece em reunião do Zoom (odeio o Zoom) com o microfone fechado.
Empate com sabor de… ar. Tudo em aberto (classificação e os pulmões)
O resultado não foi o sonho de consumo, mas é daqueles empates que não doem tanto. A LDU não disparou, o Flamengo segue bem colocado e a classificação está totalmente no radar.
Fica o alerta pra calibrar melhor os últimos passes e arrumar a mira, porque a bola tá chegando — só falta tratar com mais carinho.
No fim das contas, empatar fora de casa, a quase 3 mil metros de altitude, com a LDU que adora meter susto nos grandes da América, não foi o fim do mundo. O grupo não embolou tanto, e o Flamengo ainda é favorito a classificar com alguma tranquilidade.
Agora é respirar fundo — literalmente —, voltar pro Rio com os pulmões recuperando a dignidade, e focar nos próximos desafios. Porque se a altitude não derrubou, a falta de pontaria quase fez o serviço.
E que venha a próxima partida. Dessa vez em casa, ao nível do mar e com menos “ar rarefeito” e, de preferência, mais “jogadas bem feitas”.
E tá tudo bem, ok? Sem crise. Afinal, como todo bom rubro-negro sabe, empatar fora é estratégia. O plano? Deixar pra meter três no Maracanã com direito a gol do Pedro reverência e Arrascaeta se fingindo de morto só pra enganar.
Haja oxigênio até lá.

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